Interessante. Tem época que não acontece absolutamente porra alguma na vida, mas quando acontece, vem tudo de uma só vez. Aí depende do cidadão saber lidar com a situação, administrar, aproveitar o momento, a desforra, coisa e tal.
Tenho que falar da oficina de ilustração editorial – cartum e ilustração que aconteceu agora em novembro –9 a 12– na Biblioteca Pública do Paraná aqui em Curitóba. Os feras Ricardo Humberto e Alberto Benett (eles são irmãos!) acenderam, ou reacenderam (depende do rebento) nesses dias a vontade dos oito aspirantes a ilustradores de produzir, provocar, se expressar, comer ninfetas (essa última não provada em tese) a partir de seus rabiscos e ideias.
Surpresa foi se ver de uma hora para outra envolvido com cabeças parecidas, discutindo mesmos temas, tendo mesmas dúvidas e anseios, num meio onde cada qual normalmente é uma ilha e sente estar boiando oceano estranho –A ilustração é uma arte solitária, afirmou em certa hora Ricardo Humberto–. Impossível não haver imediata identificação entre os participantes, sem pestanejos, sem dissimulações.
Os dias 9 e 10 foram focados no processo de criação de ilustrações para mídia impressa (jornal, no caso). Da experiência ficou o convívio com Ricardo Humberto e seu desenho incrível, suas colagens feéricas e suas frases de efeito. Um artista daqueles que a gente pensa só existir na literatura. Uma pessoa que respira a arte que produz, que se comunica efetivamente e exclusivamente através dela. Suas dicas escapavam pela experiência, não existe nele discurso teórico, nenhuma retórica engessada-acadêmica, tudo é prático, tudo aplicável e pontual.

Capa do projeto desenvolvido com o genial Ricardo Humberto na oficina de ilustração: A revista UMC*.
Ricardo: – Vocês sabem o que é isto? (apontando para a logo UMC* estampada num slide)
(Silêncio constrangedor)
Ricardo: – Isto é “um cu”!
Todos: – Ah, “um cu”, saquei... blá, blá, blá. (poker face)
Já nos dias 11 e 12 os temas foram charge e tira em quadrinho, respectivamente. Aí entrou em sala Alberto Benett com seu jeitão dinâmico e descontraído, comentando desenhos publicados nos começos e botando a negada p’ra trabalhar nos finais. Impagável e único foi presenciar o autor interpretando o texto das suas próprias tiras. Narrado, o seu humor non-sense fica ainda mais engraçado. Sem rodeios, sem convenções. A arte é a caneta em riste. –Se planejar demais o trabalho não sai, interrompeu Benett num debate– Aliás, acho que esse foi o principal diferencial-atrativo da oficina, em momento nenhum o assunto “técnica” foi abordado, inclinação que só verdadeiros profissionais tomariam ao pensar num curso desse tipo, uma vez que na ilustração editorial o que conta não é a habilidade em si, mas sim a capacidade de transmitir a ideia, a opinião, sem perder o foco da notícia, do texto. A técnica nada mais é do que ferramenta a serviço da mensagem que se quer passar.

Tira do último dia de oficina. O personagem do meio é um bibliotecário de discurso duvidoso que surgiu por lá. Aquele tipo de situação que acontece do nada, todos se olham e sabem que vai virar piada.
Mais para frente pretendo comentar sobre cada um dos participantes do curso. Sei que eles aparecerão por aqui naturalmente. Cada um vale textos a parte, pessoas realmente interessantes e talentosas.

Primeiro cartum em parceria: O personagem Dead Harry é o alter-ego do figurassa Ben-Hur Lima Pinto (que já nasceu um clássico!)
Também não posso deixar de mencionar a experiência insólita de ver –para todos que me conhecem, sabem da admiração pelo trabalho do senhor Benett– minha primeira e principal influência avaliando desenhos que fatalmente ele mesmo inspirou. Surreal.
T.W.R.
Aliás, falando em parceria, o B. Carmona também estava lá, o que resultou num trabalho a três mãos – na verdade, quatro mãos e um cérebro – entre ele, o Benett e eu, uma tira que ‘tá sendo finalizada aqui.
quero ser a primeira entrevistada do blog. beijomeliga.
ResponderExcluirA senhorita Ju Baduê estava lá! Vai ser a primeira sim... a primeira e a última (risada psicopata) :P
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