sábado, 19 de novembro de 2011

OFÍCIO...

Interessante. Tem época que não acontece absolutamente porra alguma na vida, mas quando acontece, vem tudo de uma só vez. Aí depende do cidadão saber lidar com a situação, administrar, aproveitar o momento, a desforra, coisa e tal.

Tenho que falar da oficina de ilustração editorial – cartum e ilustração que aconteceu agora em novembro –9 a 12– na Biblioteca Pública do Paraná aqui em Curitóba. Os feras Ricardo Humberto e Alberto Benett (eles são irmãos!) acenderam, ou reacenderam (depende do rebento) nesses dias a vontade dos oito aspirantes a ilustradores de produzir, provocar, se expressar, comer ninfetas (essa última não provada em tese) a partir de seus rabiscos e ideias.

Surpresa foi se ver de uma hora para outra envolvido com cabeças parecidas, discutindo mesmos temas, tendo mesmas dúvidas e anseios, num meio onde cada qual normalmente é uma ilha e sente estar boiando oceano estranho –A ilustração é uma arte solitária, afirmou em certa hora Ricardo Humberto–. Impossível não haver imediata identificação entre os participantes, sem pestanejos, sem dissimulações.

Os dias 9 e 10 foram focados no processo de criação de ilustrações para mídia impressa (jornal, no caso). Da experiência ficou o convívio com Ricardo Humberto e seu desenho incrível, suas colagens feéricas e suas frases de efeito. Um artista daqueles que a gente pensa só existir na literatura. Uma pessoa que respira a arte que produz, que se comunica efetivamente e exclusivamente através dela.  Suas dicas escapavam pela experiência, não existe nele discurso teórico, nenhuma retórica engessada-acadêmica, tudo é prático, tudo aplicável e pontual.


Capa do projeto desenvolvido com o genial Ricardo Humberto na oficina de ilustração: A revista UMC*.

Ricardo: – Vocês sabem o que é isto? (apontando para a logo UMC* estampada num slide)
(Silêncio constrangedor)
Ricardo: – Isto é “um cu”!
Todos: – Ah, “um cu”, saquei... blá, blá, blá. (poker face)

Já nos dias 11 e 12 os temas foram charge e tira em quadrinho, respectivamente. Aí entrou em sala Alberto Benett com seu jeitão dinâmico e descontraído, comentando desenhos publicados nos começos e botando a negada p’ra trabalhar nos finais. Impagável e único foi presenciar o autor interpretando o texto das suas próprias tiras. Narrado, o seu humor non-sense fica ainda mais engraçado. Sem rodeios, sem convenções. A arte é a caneta em riste. –Se planejar demais o trabalho não sai, interrompeu Benett num debate– Aliás, acho que esse foi o principal diferencial-atrativo da oficina, em momento nenhum o assunto “técnica” foi abordado, inclinação que só verdadeiros profissionais tomariam ao pensar num curso desse tipo, uma vez que na ilustração editorial o que conta não é a habilidade em si, mas sim a capacidade de transmitir a ideia, a opinião, sem perder o foco da notícia, do texto. A técnica nada mais é do que ferramenta a serviço da mensagem que se quer passar.


Tira do último dia de oficina. O personagem do meio é um bibliotecário de discurso duvidoso que surgiu por lá. Aquele tipo de situação que acontece do nada, todos se olham e sabem que vai virar piada.

Mais para frente pretendo comentar sobre cada um dos participantes do curso. Sei que eles aparecerão por aqui naturalmente. Cada um vale textos a parte, pessoas realmente interessantes e talentosas.



Primeiro cartum em parceria: O personagem Dead Harry é o alter-ego do figurassa Ben-Hur Lima Pinto (que já nasceu um clássico!)

Também não posso deixar de mencionar a experiência insólita de ver –para todos que me conhecem, sabem da admiração pelo trabalho do senhor Benett– minha primeira e principal influência avaliando desenhos que fatalmente ele mesmo inspirou. Surreal.

T.W.R.

Aliás, falando em parceria, o B. Carmona também estava lá, o que resultou num trabalho a três mãos – na verdade, quatro mãos e um cérebro – entre ele, o Benett e eu, uma tira que ‘tá sendo finalizada aqui.

2 comentários:

  1. quero ser a primeira entrevistada do blog. beijomeliga.

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  2. A senhorita Ju Baduê estava lá! Vai ser a primeira sim... a primeira e a última (risada psicopata) :P

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